Quinta, 05 de Novembro de 2026
25°

Parcialmente nublado

Amarante, PI

Brasil Segurança

À véspera de aniversário, jovem perde olho após agressão de assaltante

O ataque ocorreu no Paranoá, no sábado (13/1), após o criminoso perguntar se a vítima preferia “coronhada ou tiro no pé”

15/01/2018 às 02h55 Atualizada em 15/01/2018 às 04h23
Por: Fonte: Metrópoles
Compartilhe:
À véspera de aniversário, jovem perde olho após agressão de assaltante

Em vez de comemoração, choque e revolta marcam o aniversário de um jovem morador do Paranoá neste domingo (14/1), quando completou 22 anos. Isso porque o rapaz perdeu a visão do olho direito após ser agredido por assaltante no sábado (13). Bruno* contou ao Metrópoles que, logo antes do ataque, ocorrido na Quadra 2 do condomínio Paranoá Parque, o criminoso o perguntou se preferia “coronhada ou tiro no pé”.

Continua após a publicidade
Anúncio

 

“Naquele momento, eu disse ao bandido que levasse meu celular e dinheiro, que estavam no bolso, mas queria continuar vivo”, relembra. O rapaz narrou que, logo após tomar os pertences dele, o criminoso o atacou a coronhadas: duas na cabeça, uma na boca e outra no olho. Na sequência, o agressor fugiu.

 

A vítima conta também que voltava da casa da namorada, no Paranoá Parque, por volta das 8h, quando foi abordado. O assaltante, segundo ele, estava sozinho, de bicicleta e armado quando anunciou o crime. “Depois das agressões, caí desnorteado e fui me arrastando pela pista, até que pessoas me viram e me ajudaram”, recorda.

 

Bruno foi levado, primeiramente, ao Hospital Regional do Paranoá (HRPA), ainda no sábado. Porém, segundo ele, não havia cirurgião na unidade. Por isso, no mesmo dia, uma ambulância o transportou ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), onde passou, neste domingo, por cirurgia para a retirada do globo ocular. Após o procedimento, o rapaz terá de esperar cerca de um mês para o implante de prótese.

 

Estou com lesão no tórax e muito dolorido, além da boca machucada. Os ferimentos foram piores porque uso aparelho. Nem consigo comer"

 

Jovem agredido no Paranoá

 

Apesar desses ferimentos, a dor mais aguda atingiu o psicológico da vítima, que está em estado de choque no dia em que deveria comemorar 22 anos de vida. “Tenho revolta porque não resisti, disse que poderia levar meu celular e dinheiro. Não adiantou”, lamenta Bruno.

 

Logo após o crime, familiares da vítima registraram boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), que investiga o caso.

 

A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) afirmou que o hospital do Paranoá não oferece cirurgia oftalmológica. Portanto, não houve falta desse tipo de profissional na unidade nos plantões matutino e vespertino do sábado.

 

Violência

Apesar de o GDF comemorar a redução da criminalidade no ano passado, o Paranoá foi classificado na última semana pelos Estados Unidos como uma das quatro cidades do DF a serem evitadas por turistas e autoridades norte-americanas.

 

Em termos de ameaça à segurança, Ceilândia, Santa Maria e São Sebastião, além do Paranoá, foram qualificadas como “favelas” e vistas sob a mesma ótica (nível 2) de países europeus que sofrem ataques terroristas. A recomendação é para que as cidades brasilienses sejam evitadas no período das 18h às 6h.

 

“Não viaje para as áreas de favela, onde as polícias local e militar não operam, mesmo numa visita guiada. Nem as empresas de turismo nem a polícia podem garantir sua segurança ao entrar em favelas, como ocasionalmente, confrontos entre facções e com a polícia podem ultrapassar os confins das favelas”, alertam os EUA. A publicação é incisiva no perigo. “Exceto em circunstâncias limitadas e com aprovação prévia, funcionários do governo americano podem visitar” esses locais.

 

GDF rechaça alerta dos EUA

Na quinta-feira (11), mesmo dia em que oMetrópoles noticiou, em primeira mão, a existência da lista dos EUA, o Governo do Distrito Federal rechaçou a inclusão das cidades brasilienses na lista do Departamento de Estado dos EUA.

 

Segundo o governo local, a realidade da segurança das quatro cidades mencionadas não pode ser comparada a outras localidades violentas no Brasil e no exterior. “Nelas vivem cerca de 600 mil habitantes, que trabalham, estudam e convivem em situação de absoluta normalidade. Como em qualquer cidade no mundo ocorrem crimes, mas tudo dentro da normalidade”, destacou, em nota, o Palácio do Buriti.

 

*Nome fictício a pedido da vítima

 

 

Ele1 - Criar site de notícias