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Tristeza

A tragédia das meninas do Maranhão que queriam ver a neve

Deslizamento de pedra mata Isadora Bringel e Khálida Lisboa nas cordilheiras do Chile; polícia busca por responsáveis

Maranhão

Maranhão Notícias do Maranhão

08/06/2019 16h53
Por: Diogo Costa
Fonte: Veja
Montagem: Portal C7
Montagem: Portal C7

As amiguinhas Isadora e Khálida queriam conhecer a neve. Fãs da animação Frozen – Uma Aventura Congelante e loucas pela protagonista Elsa, as pequenas maranhenses se encantaram com a ideia de conhecer o Chile. A viagem foi cuidadosamente programa pelos pais, os médicos Jorge Lisboa e Marcelo Bringel e, em 31 de maio, as duas famílias desembarcaram em Santiago, sem prever que o passeio tão alentado pelas meninas terminaria em tragédia.

Isadora Bringel, de 7 anos de idade, e Khálida Lisboa, de 3 anos, serão sepultadas neste sábado, 8, no Cemitério do Gavião, em São Luís (MA). As meninas foram vítimas de um deslizamento de pedras durante visita ao Cajón de Maipo, um dos pontos turísticos na parcela chilena da Cordilheira dos Andes, na segunda-feira 3.

As famílias vivem na maranhense Bacabal, a 235 quilômetros de São Luís. Marcelo Bringel e Jorge Lisboa são amigos desde os tempos da faculdade de Medicina, e Khálida estudava com a irmã mais nova de Isadora. As meninas eram tão amigas quanto os seus pais.

Esta foi a primeira viagem internacional de Khálida. Com pacotes turísticos comprados, as famílias  viajaram mais de 15 horas até chegar a Santiago, no dia 31, onde contrataram os serviços da agência chilena Tip Group. “O nosso grupo era grande, tinha 18 pessoas. E todos eram amigos, inclusive as crianças”, diz Lisboa.

No primeiro dia no Chile, o grupo fez um city tour pela capital chilena. Postagens no Instagram mostram as famílias no centro histórico de Santiago e no Parque Bicentenário, pela manhã, e na vinícola Concha y Toro, de tarde. O sábado 1º foi reservado para a realização do sonho das meninas: as estações de ski de Farellones e do Valle Nevado. No dia seguinte, o grupo visitou as cidades litorâneas de Valparaíso e Viña del Mar, na costa do Pacífico.

No último dia de viagem, a segunda-feira, as meninas novamente se encontrariam no reino de Elsa. Mais especificamente, no Cajón del Maipo, a 50 quilômetros de Santiago, e na represa El Yeso. “A viagem estava perfeita até então. Gravei vários vídeos, tirei muitas fotos, publiquei tudo nas redes sociais”, conta Bringel.

‘Pedra, pedra!’

Bringel lembra que a van do grupo chegou às 12h daquela segunda-feira até o local mais próximo de El Yeso. Depois, os turistas caminharam cerca de 40 minutos até a represa, acompanhando o ritmo mais lento das crianças. Passadas duas horas de caminhadas e de contemplação das cordilheiras, o deslizamento de pedra começou.

“O Leno, que estava no nosso grupo, de repente gritou ‘pedra, pedra!’ e foi tudo muito rápido. Se não fosse isso, a tragédia teria sido maior”, recorda Bringel, emocionado. “A pedra era grande e veio em minha direção. Eu pulei, mas, infelizmente, não vi a Isadora. Quando eu me dei conta, a minha filha já estava caída no chão.”

Médico, Bringel tentou imediatamente reanimar a menina, sem sucesso. Saiu correndo com Isadora nos braços pelo caminho de volta à van da agência de turismo, com a ajuda de outras pessoas que estavam no local. “Enquanto eu descia, havia muita gente no sentido contrário. Mesmo com outras pessoas gritando que estavam caindo pedras, o pessoal continuava a subir”, lembra.

Lisboa também prestou os primeiros socorros à filha Khálida, em vão. Ambos os pais ficaram aturdidos com a ausência de ambulâncias e de equipamentos para atender às meninas naquela área de risco. Khálida e Isadora foram levadas sem vida ao hospital de San José de Maipo, a cidade mais próxima. Nas primeiras horas da terça-feira 4, seus corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Santiago.

No complicado processo de liberação dos corpos, o avô de Isadora, José Milton Ferreira, teve de se deslocar de São Luís para Santiago com a missão de reconhecer a neta e dar apoio ao filho, Marcelo Bringel. As regras locais exigem o reconhecimento da vítima por duas pessoas próximas.  Ferreira comentou a VEJA, emocionado, que a menina era muito carinhosa.

“Ela adorava cantar música gospel e era apaixonada pelas aulas de balé”.

Assim como a família de Ferreira, Jorge e Lenne Lisboa são religiosos e acreditam que a filha era um “ser de luz”, com quem aprenderam muito. Khálida esperava ansiosamente a chegada da irmã Katharina, daqui a dois meses.

“A nossa Khálida tinha a capacidade de chegar a um lugar estranho para ela e cativar todo mundo”, diz o pai. “Ela adorava estar na companhia das outras meninas, mas sentia a falta de uma irmãzinha para brincar”, comenta Lenne, grávida de sete meses.

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