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Encontro e Emoção
AMARANTE: Redes sociais ajudam filha a encontrar pai após 24 anos
Com apenas o nome completo do pai, Éryca começou sua busca quando ainda tinha 17 anos
Amarante - Piauí

Amarante - Piauí Diogo Costa Whatsapp : (86) 99570-7210

09/02/2019 12h05
Por: Diogo Costa
Fonte: O Dia
Fotos: Jailson Soares
Fotos: Jailson Soares

As mãos, braços e abraços entre pai e filha não se deixam largar por muito tempo. Os olhares são de atenção, respeito e afago constantes. Em poucos minutos na presença de Éryca Kaylla e Adailton Baião Paes Landim, fica claro que, ali, há uma relação de amor que transborda. Mas para que esse amor pudesse vir à tona, o tempo exigiu paciência. Foram necessários 24 anos de espera para que pai e filha, separados antes mesmo do nascimento da primogênita, pudessem se conhecer. Após tentativas recorrentes, o encontro aconteceu, por intermédio das redes sociais, há dois meses no município de Amarante, Sul do Estado.

“Desde meus 17 anos, eu comecei a procurar por ele através das redes sociais. Usei Orkut, Facebook e tudo que pude para procurá-lo. Quase cheguei a desistir, mas nunca perdi a esperança, depois de muitas tentativas, enfim, consegui encontrá-lo”, destaca a jovem.

“Foi quando fui buscar no Facebook a página da cidade para saber se ele seguia, mas não encontrei. Falei com o administrador para saber se ele conhecia algum Adailton, mas o rapaz, que se chama Diego, não conhecia, mas se comprometeu a procurar. Uma semana depois, ele entrou em contato comigo dizendo que havia encontrado o sócio do meu pai”, afirma.

Com isso, a jovem conseguiu, enfim, o contato do pai, mas o medo da rejeição impediu que ela entrasse em contato de forma mais direta. “Não tive coragem de ligar, eu senti muito medo de rejeição e de ele não querer me aceitar. Por isso, só mandei uma mensagem”, relembra. No entanto, a resposta não veio para ampliar os medos de Éryca, mas para expurgá-los.

“Eu pedi que ela me ligasse e não tinha dúvidas que ela era minha filha. Fiquei muito emocionado quando recebi a ligação dela”, relembra Adailton.

O encontro

Éryca foi criada pelos avós no município de Beneditinos, mas, atualmente, mora em Teresina. Adailton, apesar de morar na Bahia, é natural de um município no extremo Sul do Piauí.

“Ele disse que não poderia vir a Teresina porque minha avó, a mãe dele, iria fazer uma cirurgia em Amarante, mas pediu que eu fosse até lá. E eu fui. Peguei o ônibus sozinha e fui”, lembra.

Na rodoviária, ao descer do ônibus, a emoção veio à tona. Mais de vinte e quatro anos depois, foi a primeira vez que pai e filha puderam trocar um abraço.

“Eu passei a vida pedindo a Deus para encontrá-lo. Durante todo esse tempo, o Dia dos Pais era uma das datas mais tristes. Foi difícil, mas conseguimos nos encontrar e, agora, é só alegria”, constata a jovem.

Adailton conta as semelhanças que vê na filha consigo. “Ela tem a boca como a minha quando eu era jovem, tem os traços da minha mãe. As pessoas ficam dizendo que preciso fazer o exame, mas não preciso, ela é minha filha”, afirma.

Éryca tem 25 anos e Adailton, que constituiu família dois anos depois de conhecer a mãe da jovem, tem uma filha também chamada Éryca de 22 anos. “Eu sempre quis que minha filha se chamasse Éryca, hoje tenho duas filhas maravilhosas e um filho de 15 anos e eu quero ser um pai da mesma forma para ela, que fui para meus dois filhos”, afirma, acrescentando, emocionado, “Hoje a Éryca tem um pai”.

Atualmente, pai e filha acompanham a recuperação do avô da jovem no Hospital de Universitário em Teresina, onde a aproximação de ambos tem ficado cada vez mais latente. Os planos, agora, são todos de celebração. “Quando meu pai se recuperar, vamos fazer uma festa para ela conhecer toda a família. O carneiro já está engordando”, comemora Adailton.

De agora em diante, as redes sociais continuam fazendo parte da vida de pai e filha, mas só para ficarem cada vez mais próximos. Trocas de mensagens diárias, ligações e compartilhamento de rotinas, alegrias e dificuldades mostram que a relação, daqui em diante, é de constante presença. “O amor sempre foi o mesmo. Mesmo longe, o coração sempre esteve perto”, finaliza Éryca.

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