
Uma propaganda oficial do Governo do Piauí, divulgada nas redes sociais do governador Rafael Fonteles (PT), provocou forte reação e acabou sendo retirada do ar após repercussão nacional. O caso foi destaque na coluna do jornalista Igor Gadelha, no site Metrópoles, que expôs o conteúdo da campanha e a decisão do governo de apagá-la das redes.
O vídeo fazia parte da divulgação de um programa de rastreio e recuperação de celulares roubados no estado. Na peça, um jovem branco aparecia sendo furtado por dois rapazes negros enquanto escutava música. Em seguida, os autores do crime eram presos pela polícia, e a vítima agradecia aos agentes.
A representação dos personagens gerou fortes críticas de internautas, movimentos sociais e lideranças políticas, que acusaram o governo de reforçar estereótipos racistas, ao associar pessoas negras à criminalidade e colocar o personagem branco no papel de vítima.
Com a polêmica tomando grandes proporções, o vídeo — que chegou a ser publicado na página oficial do próprio governador Rafael Fonteles — foi removido das redes sociais. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social do Governo do Piauí (Secom) negou as acusações de racismo e afirmou que a peça teria sido inspirada no filme “Ai Que Vida”.
Mesmo assim, a justificativa não conteve as críticas. Nas redes, usuários e influenciadores apontaram a falta de sensibilidade e diversidade na comunicação institucional do governo, questionando o processo de aprovação da campanha.
A polêmica ganhou ainda mais destaque após ser publicada pelo portal Metrópoles, um dos veículos de maior audiência do país, e assinada pelo jornalista Igor Gadelha. A reportagem ressaltou que, diante da repercussão negativa, o governo decidiu retirar o vídeo do ar.
Até o fechamento desta matéria, o governador Rafael Fonteles não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso.
Diretor de "Ai Que Vida!" Nega racismo e defende liberdade criativa em campanha do Governo do Piauí
O cineasta piauiense Cícero Filho, conhecido pelo sucesso do filme Ai Que Vida, se pronunciou nas redes sociais após a repercussão negativa de uma campanha publicitária da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, produzida em alusão ao Dia do Piauí. Parte do público acusou o vídeo de associar jovens negros à criminalidade, o que o diretor negou veementemente.
Cícero afirmou ter tido liberdade criativa total no desenvolvimento dos roteiros e classificou as críticas como interpretações equivocadas. Segundo ele, a esquete em questão retrata "ladrão roubando ladrão", sem relação com cor ou origem dos personagens. "Aceitei o trabalho com liberdade criativa e fiz tudo dentro desse princípio. Não há nenhum teor racista", destacou.
O diretor explicou ainda que o roteiro foi inspirado em uma história criada pelos humoristas André Dark e Santiago, que participaram das gravações. Cícero lamentou o direcionamento negativo das críticas e anunciou que já trabalha na continuação de Ai Que Vida, prometendo manter o mesmo estilo realista que consagrou o primeiro filme.
Fontes: Portal Encarando | 180graus
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