O encontro com Pelé, no distante ano de 1986, não foi programado. O Rei visitava o litoral do Piauí para as gravações de uma propaganda da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). Ao avistar o Camisa 10 de longe, Francisco Almeida logo se encantou com a humildade do Rei aos seus súditos. Para registrar o feito, o agricultor só tinha um contracheque para pedir o autógrafo do maior de todos os tempos.
Sua majestade o atendeu, e a assinatura é guardada há 36 anos com carinho pelo piauiense. Com a morte do Rei, o contracheque com a assinatura de Pelé é tratado como um tesouro, uma relíquia de valor incalculável que ganhou proteção para evitar as traças.
— Era uma multidão. Ele estava abraçando todo mundo. Eu fiquei até besta porque a gente via ele na televisão e fiquei encantado. Ele nos deu tempo para fazer perguntas e muitos ficaram encantados com a simplicidade dele. Ele teve paciência e educação, o que nos deixou muito felizes — relembrou Francisco, 36 anos depois.

"Todo mundo abraçou e sorriu. Todo mundo feliz porque estava ao lado do Rei. Eu tinha 22 anos, e ele 46. Aí o que acontece, todo mundo apertou a mão dele lá na praia, abraçou. Carinhosamente, ele atendeu todo mundo com paciência e brincadeiras.”

— Francisco Almeida, sobre conhecer Pelé, em novembro de 1986
E, por qual motivo, o Rei deu autografo em um contracheque?
Mais do que uma memória do encontro, era preciso ter uma lembrança para guardar. Um presente. Foi quando ao abrir a carteira, em uma busca cega por algo onde pudesse levar um pouco do Rei com ele, Francisco encontrou um pedaço de papel dobrado. Um documento que a partir daquele dia valeria mais que dinheiro.
- Como eu não sou chegado em tomar banho de mar, eu estava com minha carteira e contracheque no bolso. Quando eu a abri e vi o papel, pedi logo um autógrafo. Ele ficou relutante em assinar um documento, mas eu disse que não teria problema. Foi quando ele autografou no verso. Foi um momento da minha vida em que fiquei muito feliz – confessou, emocionado.
Ao voltar para sua terra natal, a notícia do autógrafo do Rei logo correu pelas ruas de Amarante. Na pequena cidade, no meio norte piauiense, Francisco se tornou famoso, o único ali a possuir um presente do Rei do futebol.
Pessoal brincava comigo, "rapaz, você conseguiu o autógrafo do Rei Pelé. Acho que vai ficar uma relíquia para os meus filhos e netos. Se você ver o carinho que ele nos tratou, é incrível, humano mesmo"

— Francisco Almeida
Hoje, aos 68 anos, o Sr. Francisco tem o presente como um verdadeiro tesouro real. O contracheque com a assinatura de Pelé, amarelado pelo tempo, é guardado com todo o cuidado possível, como tesouros reais devem ser.
— Eu tenho tanto medo de perder esse do documento que comprei um isopor para guardar ele dentro e vedei com fita, para proteger de traças — concluiu.
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