Saúde Coronavírus

Covid-19: Instituto Butantan anuncia criação da vacina ButanVac

O objetivo é ter 40 milhões de doses prontas até o fim deste ano e começar a imunizar a população em julho.

26/03/2021 10h19
Por: Diogo Costa Fonte: Estadão Conteúdo
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O Instituto Butantan detalha nesta sexta-feira, 26, a produção da ButanVac, uma possível nova vacina contra a covid-19. Se tudo correr bem nos testes clínicos, o Instituto começará a produzir a vacina em larga escala em maio. O objetivo é ter 40 milhões de doses prontas até o fim deste ano e começar a imunizar a população em julho.

Segundo Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, a capacidade de produção anual é de 100 milhões de doses. O Instituto vai pedir autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar ensaios clínicos de fases 1 e 2 em humanos, envolvendo 1,8 mil voluntários.

"É um momento de profunda esperança para todos nós. Dia 26 de março é o dia da esperança", disse o governador João Doria no início da coletiva. "Os resultados dos testes pré-clinicos (da ButanVac) se mostraram extremamente promissores", anunciou. Por isso, o Instituto pretende começar os ensaios clínicos já no mês de abril, se a Anvisa autorizar.

Dimas Covas disse que o desenvolvimento da vacina começou há um ano. "De lá para cá, foi uma luta intensa, um esforço intenso de toda a equipe, tanto do ponto de vista da produção quanto das negociações internacionais", disse. Covas falou que pretende enviar um dossiê de desenvolvimento clínico ainda nesta sexta à Anvisa para conseguir autorização para fazer os estudos clínicos.

Dimas Covas adiantou que os estudos devem durar de 45 a 75 dias.

A tecnologia usada pela vacina é a mesma usada na produção da vacina da gripe, que já é feita no Butantan. A vacina é produzida em ovos de galinha e o País não dependerá de insumos importados para a sua produção. Segundo Dimas Covas, nenhuma outra vacina contra a covid-19 utiliza essa tecnologia. Ele disse que essa vacina tem vantagens porque é barata e segura.

"Essa é a geração 2.0 da vacina. Nós aprendemos com as vacinas anteriores e agora sabemos o que é uma boa vacina para a covid-19. Essa já incorpora algumas dessas modificações", disse Covas. Ele falou que essa é uma vacina mais imunogênica e, por isso, usa uma dosagem menor, aumentando a disponibilidade de doses.

O lote piloto, que será usado nos ensaios clínicos, já está pronto. A vacina utiliza o vetor víral do coronavírus de forma íntegra.

A vacina foi enviada à Índia para ser testada em animais e, segundo Dimas Covas, teve resultados "excelentes".

O Instituto Butantan produzirá a vacina em um consórcio internacional ao lado do Instituto de Vacinas e Biologia Médica do Vietnã e da Organização Governamental Farmacêutica da Tailândia. O Brasil produzirá 85% da capacidade total. O compromisso do Butantan é fornecer a vacina para países de baixa e média renda.

"A gente superou várias etapas, tem um bom produto, promissor. Tem algumas etapas ainda a superar, das fases clínicas, mas estamos bem confiantes", disse Ricardo Oliveira, diretor de produção do Instituto Butantan.

Dimas Covas disse que existe a possibilidade de a vacina se de dose única. Fatores como dosagem e o intervalo entre doses serão avaliados nos estudos clínicos.

O presidente do Butantan acredita que a fase de estudos clínicos pode ser encurtada porque já há um conhecimento maior sobre vacinas contra a covid-19. "O estudo pode ser feito de forma comparativa com as demais vacinas do ponto de vista imunológico". Os voluntários dos ensaios clínicos são pessoas dos grupos que ainda não estão sendo vacinados no Brasil.

Não há nenhum recurso do Ministério da Saúde alocado no desenvolvimento da vacina neste momento. "Os recursos são do Butantan e do Estado de São Paulo", disse Doria. Os estudos clínicos serão financiados pelo Insituto Butantan, que já tem recursos reservados para isso. Ainda não há um custo definido para a vacina, mas Dimas Covas acredita que ela será uma vacina "muito barata".

Doria disse que a prioridade é atender a população brasileira, então o Ministério da Saúde terá prioridade para a compra. O excedente poderá ser comprado pelo governo de São Paulo e exportado para países da América Latina ou para os países do consórcio internacional.

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