
“Neste período deflagramos cinco operações que resultaram em sequestro de bens, bloqueio de contas e patrimônios. Estimamos que este trabalho conseguiu a devolução de R$ 17 milhões. Mas, o prejuízo chega a mais de R$ 50 milhões, levando em conta os contratos nos municípios que estamos investigando nos últimos dois anos”, explicou.
Cordão disse ainda que o sucesso do combate ao crime de corrupção só é possível com o trabalho conjunto e cruzamento de dados entre vários órgãos estaduais e federais. Um grande passo também foi a instalação do laboratório de lavagem de dinheiro no Ministério Público Estadual e do Núcleo de Investigação Patrimonial.
Como exemplo de sucesso nas investigações, o coordenador do GAECO cita a Operação Escamoteamento, deflagrada ano passado na cidade de Cocal. Para chegar aos principais atores do crime de fraude em licitações foi preciso trabalho conjunto de várias órgãos.
“O grande operador do sistema que investigamos nesta operação não tem nada no seu nome, muito embora viva numa mansão, tenha vários veículos de luxo. A partir de pessoas que fazem parte do seu ciclo de confiança fazemos a investigação com a participação do TCE, CGU, TCU, Receita Federal e outros órgãos que nos municiam com informações. Daí conseguimos sequestrar bens e bloquear contas bancárias, começando assim a recuperar o patrimônio”, disse Rômulo Cordão.
O coordenador do GAECO lamenta que investigações a crimes de colarinho branco tenham começado muito tarde no Piauí e no país. Porém, para ele, operações como Lava Jato são caminho sem volta. Com estrutura solidificada, Cordão acredita que a população é importante ao trazer as denúncias e afirmou que nem mesmo o próprio Ministério Público está livre de passar por um pente fino, como o que aconteceu com o ex-procurador Geral, Emir Maia, denunciado à Justiça por desvio de recursos da instituição.
“Na Operação IL Capo, deflagrada em 2016, observou-se que haviam duas folhas. Uma enviada ao TCE e outra o dinheiro que realmente ia para as contas. Conseguimos provas robustas e os investigados denunciados, após quebra de sigilo bancário e fiscal, mostrando que o dinheiro foi desviado do MP. Um dos pontos que consta na denúncia é a utilização desse dinheiro desviado para escamotear, aplicando em investimentos como um restaurante em Picos, do filho do ex-procurador geral, o advogado Thiago Saunders. Aguardamos agora o resultado na Justiça”, concluiu.
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