
O caos instalado na saúde pública do Distrito Federal fez mais uma vítima. O comerciante Joaquim Macêdo Araújo, 78 anos, não resistiu às complicações causadas por duas paradas cardíacas e morreu na segunda-feira (21/5). A família do idoso tem consciência de que o quadro clínico dele era grave, mas se revolta com o fato de, mesmo com uma ordem judicial em mãos, não ter conseguido a transferência do paciente para uma unidade de terapia intensiva (UTI). O caso revoltou parentes do homem.
Joaquim deu entrada no Hospital Regional de Planaltina (HRP) após sofrer uma parada cardíaca em 14 de maio. Durante os procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), o idoso lesionou uma costela. Apesar de a reanimação ter sido bem-sucedida, as lesões causadas pela RCP contribuíram para o desenvolvimento de uma pneumonia.
Desde o dia em que passou mal e precisou ser internado, o idoso permaneceu no box de emergência do HRP, aos cuidados da equipe médica e de enfermagem, mas sem a atenção intensiva recomendada pelos próprios profissionais. Com indicação de hemodiálise diária, Joaquim não passou por nenhuma sessão de filtragem do sangue, pois o HRP não possui o equipamento.
Para a enteada de Joaquim, a bancária Elisângela Medeiros, o padrasto poderia ter sobrevivido caso houvesse recebido o tratamento adequado em um leito de UTI.
É triste demais ver um familiar morrendo aos poucos. Tentamos de todos os lados, vários contatos, e ninguém conseguiu nada. Todo hospital deveria ter UTI. Os médicos e enfermeiros do Hospital de Planaltina fizeram tudo que estava ao alcance deles, deram todo suporte necessário, cuidaram do meu pai com muita atenção e carinho, mas lá não era o lugar adequado para o tratamento do caso dele"
Elisângela Medeiros, enteada de Joaquim
Tristeza e indignação
Marina Medeiros, neta de Joaquim, utilizou sua conta no Facebook para demonstrar a indignação de ver o avô morrer na fila por uma vaga de UTI.
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