
Em um momento de grave crise de intoxicação por metanol no país, o deputado federal Átila Lira (PP-PI) apresentou um Projeto de Lei que busca endurecer o controle sobre a autenticidade das bebidas comercializadas no Brasil. O projeto torna obrigatória a inserção de um Código QR em todas as embalagens para garantir a rastreabilidade, autenticidade e identificar violações do produto.
A iniciativa ganha urgência dado o cenário recente de adulteração de bebidas. O Brasil enfrenta uma onda de intoxicação: até o momento, 225 casos foram notificados, com 16 confirmados e 15 mortes registradas, a maioria concentrada no estado de São Paulo. No Piauí, 3 casos já foram notificados. A Polícia Civil intensificou as operações em adegas e distribuidoras, realizando apreensões de bebidas adulteradas e prisões de suspeitos envolvidos nas fraudes.
Sistema Nacional de Rastreabilidade
O projeto de Átila Lira visa criar um Sistema Eletrônico de Controle e Rastreabilidade de Bebidas (SECRB), a ser gerido pelo Governo Federal, sob a coordenação do Ministério da Fazenda, em conjunto com a Anvisa e o Ministério da Agricultura e Pecuária.
A proposta exige que o QR Code nas embalagens contenha informações vitais, permitindo ao consumidor e aos órgãos de fiscalização:
• Verificar a autenticidade e a origem da bebida.
• Identificar se o produto já foi aberto ou violado (lacre rompido).
• Assegurar a rastreabilidade de todo o ciclo produtivo, desde a fabricação até o ponto de venda.
Para o consumidor, a simples leitura do código com o celular permitiria a consulta pública imediata sobre a procedência, local e data de fabricação, e se o lacre da embalagem foi rompido.
Na justificativa do PL, protocolado em 6 de outubro de 2025, o deputado reforça que a medida é uma resposta direta para aumentar a segurança alimentar e combater a falsificação, um problema que, além dos riscos iminentes à saúde pública (como os casos de metanol), gera "prejuízos bilionários à economia".
O parlamentar explica que a integração do novo sistema a bases de dados como as da Receita Federal, Anvisa e Inmetro fortalecerá o controle tributário e sanitário da cadeia produtiva de forma digital, dificultando a atuação de fraudadores.
Prazos e Penalidades
Se aprovada, a lei estabelece que as empresas do setor deverão se integrar obrigatoriamente ao SECRB. O Executivo Federal terá 180 dias para regulamentar a norma.
O texto prevê sanções para quem descumprir a legislação, incluindo multa, apreensão dos produtos irregulares, suspensão temporária das atividades e cassação do registro. O PL só entraria em vigor 12 meses após sua publicação, dando prazo de adaptação para o setor.
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