
Sem partido há quase dois anos, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (17/8) que há a possibilidade de retornar ao Progressistas (PP), partido ao qual foi filiado durante boa parte da vida política. Entretanto, afirmou que a sigla também deve ter interesse na filiação.
“Essa uma possibilidade existe, mas não é eu voltar para o PP, o PP tem que me querer também. É um casamento, os dois lados têm que dizer sim”, disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Capital Notícia, de Cuiabá (MT).
Bolsonaro se encontra sem partido desde novembro de 2019, quando se desentendeu com o comando do PSL, partido pelo qual se elegeu presidente, e deixou a sigla. Ele tentou articular a criação de uma agremiação própria, o Aliança pelo Brasil. Porém, como o projeto não saiu do papel, ele busca acordo com outras legendas. Estar em um partido é obrigatório para concorrer às eleições no país.
“Por mim, eu já teria decidido, só que é um casamento difícil, né? Sempre tem um problema pela frente. Eu estou correndo atrás”, afirmou o presidente nesta terça, admitindo a dificuldade em encontrar uma sigla para se abrigar.
Como mostrou o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, a demora em definir o futuro partidário para as eleições de 2022 já levam deputados federais da ala bolsonarista do PSL a abrirem negociações independentes para se filiar a outras legendas.
Embora Bolsonaro admita negociação com o Progressistas, nem todos querem acompanhar o presidente por não concordar com a filiação à legenda comandada pelo novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.
Essa resistência se deve sobretudo a questões políticas regionais. O argumento dos parlamentares é de que, como o PP já tem estrutura consolidada, pode não haver espaço para os deputados bolsonaristas na estrutura partidária nos estados.
Em outros casos, bolsonaristas do PSL dizem avaliar um plano B para filiação, com o argumento de que a demora do presidente da República em definir o futuro partidário impede que os aliados comecem a se articular nos estados para 2022.
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