
Quatro assassinatos cometidos em um sítio na zona rural de Iguatu, no interior do Ceará, chocaram o estado e foram desvendados pela Polícia Civil. Dois homens, de 44 e 43 anos, foram condenados por comandarem uma seita que realizava rituais macabros entre 2017 e 2018. Segundo as investigações, os crimes tinham como objetivo obter os números da Mega-Sena e alcançar supostos poderes sobrenaturais.
A investigação teve início após o desaparecimento de um estudante de 17 anos. Imagens de câmeras de segurança mostraram a vítima na companhia de um dos suspeitos antes do crime. Após a prisão da dupla, equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros localizaram quatro corpos enterrados em covas rasas no Sítio Canto, no distrito de Suassurana. Durante as investigações, um adolescente que participava das execuções também foi encontrado morto, e a perícia concluiu que ele cometeu suicídio.
De acordo com a polícia, os criminosos seguiam o mesmo método em todas as execuções. Antes de atrair as vítimas, preparavam uma cova no terreno. Em seguida, convenciam os alvos a irem até o local com falsas promessas de festas, dinheiro ou carona.

No sítio, as vítimas tinham a cabeça coberta por um pano e eram orientadas a se concentrar e pensar em números da Mega-Sena. Enquanto estavam distraídas, eram executadas com um tiro na nuca. Conforme o delegado responsável pelo caso, todas as quatro vítimas foram mortas da mesma forma durante os rituais.
As investigações também revelaram que os corpos eram desenterrados após os assassinatos e que partes dos restos mortais eram utilizadas para ornamentar um altar montado na residência de um dos condenados, imóvel que ficou conhecido entre os investigadores como "Casa da Morte". Segundo a polícia, além de tentar conseguir os números da loteria, o líder do grupo acreditava que os rituais lhe dariam poderes divinos, riqueza e influência.
Ainda conforme o Ministério Público, as vítimas eram escolhidas por apresentarem algum tipo de vulnerabilidade psicológica ou emocional. Em alguns casos, pessoas que possuíam desavenças com os criminosos também eram transformadas em alvos. Para a investigação, os condenados agiam como serial killers e se passavam por pessoas religiosas para conquistar a confiança das vítimas.
Os dois homens cumprem pena em regime fechado após serem condenados por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menores e vilipêndio de cadáver. As penas somadas ultrapassam 38 anos de prisão. Durante um dos interrogatórios, um dos condenados afirmou estar arrependido e disse que os rituais não haviam trazido qualquer benefício. A Polícia Civil destacou que, se o grupo não tivesse sido desarticulado, novas vítimas poderiam ter sido assassinadas.
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